13 de fev de 2009

O outro lado do paraíso

Visitar Bali era um sonho antigo, era a imagem do paraíso: campos de arroz verdinhos, praias de águas cristalinas, ondas perfeitas (e surfistas), flores coloridas, templos hindus e um povo pacífico e espiritualizado.
No meu aniversário de 32, na Califórnia, ganhei de presente do Dudu um guia sobre Bali, de segunda mão e em perfeito estado – The natural guide to Bali - enjoy nature, meet the people, make a diference (ed Equinox), escrito por ecologistas e antropóplogos, com colaboração de jornalistas, sociólogos e artistas balineses que amam sua ilha mas tem lá um olhar crítico sobre Bali. O livro me conectou definitivamente com a Ilha dos Deuses ao trazer informações sobre lojas que praticam comércio justo, mercadinhos e restaurantes com produtos locais e orgânicos, fundações e cooperativas que apoiam as comunidades, etc, com um texto bem humorado e fluido como uma boa conversa (e que nenhum Lonely Planet tem). O guia perfeito para uma jornalista viajante em busca de histórias sobre sustentabilidde.
O texto sobre pirataria - Copyright or right to copy? - fala das marca de bolsas Guci, relógios Relex e câmeras Nilkon que vamos encontrar pelas ruas da muvucada Kuta. O guia explica que o balinês é artista por exelência porque faz arte para os deuses, mas o boom de artesãos tem arruinado a agricultura e a cultura local. O artesanato gera, por ano, U$ 1,5 bilhões e isso explica porque muitos pequenos agricultores trocaram de profissão e venderam suas terras para financiar uma lojinha de artesanato nos centros turísticos. Já viu um porta CD em forma de gato e pintado com cores vibrantes Made In Bali? Pois é um bom exemplo da massificação e distorção da arte, alimentada pela demanda nervosa dos centros consumidores mundiais. Um viajante atento a essas questões vai se deliciar com o Natural Guide ao ler sobre a importância do comércio justo em lugares tão explorados como Bali.
Daí, já ligado no movimento do lugar, você pode seguir a recomendação do guia de que a melhor parte da viagem é quando as coisas não acontencem como o planejado. Get lost!

8 comentários:

  1. Oi Tatiana,
    meu nome é Luciana, moro em Tiradentes,MG. Descobri seu blog atrvés da revista Vida Simples e adorei sua iniciativa de registrar as viagens e compartilhar com o público, parabéns pelo trabalho.
    Quanto a reportagem acima, a massificação do artesanato é um fenômeno mundial, moro em uma cidade turística e tombada pelo patrimônio histórico, toda a cidade vive do turismo e do artesanato. Quando cheguei aqui os trabalhos ainda eram muito originais e artísticos, hoje existem pequenas fábricas de artesanato, o que eu chamo de industrianato. Perde-se qualidade, arte e valor, e o que é pior a edentidade cultural e social do lugar.É uma pena.
    Tenho um atelier e fabrico brinquedos antroposóficos, temos a antroposofia em comum, adorei ler as reportagens sobre antroposóficos trabalhando pelo mundo afora.
    Um abraço,
    Luciana.

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  2. Estou ADORANDO acompanhar você! Dedos cruzados pra desejar sorte e beijos.
    Beta

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  3. E não é que aquele velho sonho "aeromoça" achou um jeitinho de virar realidade?

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  4. Ai Beta, você é demais. Foi buscar lá no fundo do baú o sonho da menina Tati lá pelos seus 7 anos de idade. Agora, aos 32, constato que, de fato, há sementinhas que a gente cultiva sem lá muita consciência e ó só no que dá. Adorei te ver por aqui. Beijao.

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  5. Oi Luciana, que bom que nos encontramos. Tenho aprendido com a cultura hindu de Bali a reverenciar o bem e o mal, pois ambos são parte da natureza, inclusive a humana. O que vc humoradamente chama de industrianato faz parte da muNdança, e vida é movimento. O que me incomoda é ele ser regido pela lógica besta do mercado. Vamos fazendo a nossa parte.

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  6. Obrigada pela dica de que o bem e o mal fazem parte da Natureza. Esta consciência é fundamental e às vezes agente esquece.
    Um forte abraço,
    Luciana

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  7. Oi Tati,
    Visitei Bali em 96, muita coisa deve ter mudado... Mas será que eles ainda ecitam muito Alpha Blondi por aí? Recomendo que visite Lovina Beach, fica no norte da ilha, é umapraia de areia preta, de lá vc pode fazer um passeio para ver golfinhos e mergulhar de apnéia. Uma coisa que me impressionou no entando foi o comportamento dos macacos nos templos, eles literalmente roubam as coisas da nossa mão, não só comida como também pegou meu brinco!!! Uns trombadinhas praticamente. Voce já viu isso? Acho uma pena que eles tenham ficado assim, tão humanizdos não acha?
    Tudo de bom amiga!!!
    Bjs
    Thais

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  8. Thais, querida, certamente a coisa deve ter mudado bastante por aqui, o turismo é uma economia fortíssima e irritante para quem se entende como viajante. Tem que rebolar pra não ser levado pela maré da massificação. Ainda não estive em Lovina, mas de ante mão já sei que o feitoço virou contra o feiticeiro por lá. Cada macacada!

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